13 de ago. de 2008

DAVID LYNCH (por 7A)

A luz do sol, por exemplo, não elimina a negatividade.É uma luz que elimina a escuridão, mas não a negatividade.Que tipo de luz nós devemos então ascender para dissipar a negatividade, tal como a luz do dia dissipa a escuridão? (DAVID LYNCH- CATCHING THE BIG FISH)





Somente através do cordialismo desenfreado dos hospitais de luxo é que Laura Dern devora tranquilamente seus manequins humanos empilhados em pulsões de mar. Em fúria James Stewart invade o quarto de Fellini com seus dinossauros digitais: Frederico; a multidão deseja sua capa. No campo unificado da super-highway se chega à Roma com um passo. Todas as estradas sujas são deixadas para trás; elevadores caem e caem e caem. Difícil possível sustentar a sufocante máscara de borracha do clown. Cobre-se o céu com texturas e depois neste mise-èn-scene as cores impregnadas de abstração vêm atrás. As centelhas dos lábios verdes e gramas vermelhas nos esclarecem; os floristas são só pra disfarçar. Milk-shakes de jasmim nos esperam; telefones de argila para nos clarificar: Nos refletores de sal, nas geladeiras de gasolina; os jardins de dança correm por e até você. O som no clarão do ventilador é essa sintonia de luzes desses felizes acidentes. Sob o sol, os espelhos estão limpíssimos e nos salvam de lâmpada em lâmpada; Musas canibais sobem para as estrelas. Os peixes da tela rastejam. Helicópteros cortam tua cabeça de suaves desastres. Iluminações em aeroportos são as melhores. Pode-se pousar fúria e esculpir silêncio. Muito melhor é ser aniquilado por um outdoor e renascer na extensão cruel do instante flutuação na pedra oceânica do pescoço. Agora algo se rompeu e se rompe por de trás dessa criança uivando baixinho o magnetismo de suas unhas indefesas a nos projetar. Os peixes invadem o cinema; mais solúveis do que nunca se poderia se pôde inventar. Seja muitíssimo bem-vindo ao deserto do real.

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